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/ comer fora
Comida
de Vaqueiro
Mesas
à sombra de bacurizeiros e um jeitinho bem caseiro de
servir fazem o sucesso da Fazenda São Jerônimo,na Ilha
de Marajó
Por
Guta Chaves fotos Luiz Braga
Legenda:
No fogão a lenha, Jerônima prepara os pratos, que são
servidos ao ar livre
Maior em extensão que a Bélgica, a ilha de Marajó tem
encantos e histórias desconhecidas da grande maioria dos
brasileiros. Poucos conhecem a arte da cerâmica da
região, de formas sinuosas como os rios e as várzeas de
onde sai a matéria-prima para moldá-las. Outros lembram
das cenas exibidas pela TV Globo durante o programa No
Limite 3. Entre as centenas de propriedades locais, a
Fazenda São Jerônimo foi escolhida pela produção da
emissora como cenário por seu aspecto selvagem, de
natureza intocável. Morada do casal Jerônima e Raimundo
Brito, nativos da ilha, foi uma das primeiras a virar
pousada.
Para se chegar até lá, é preciso viajar duas horas e
meia de balsa de Belém até a cidade de Camará. Em
seguida, mais meia hora de estrada e, de novo, outra
balsa para atravessar o rio Paracauari, em cinco minutos,
com destino a Soure (Suri, na linguagem do
caboclo), uma cidade planejada de ruas largas e árvores
frondosas. Perto desse cenário de água fresca está
localizada a fazenda: saindo de Soure, no quilômetro
três do caminho que vai para Pesqueiro, a praia mais
próxima.
Como manda a tradição marajoara, o casal de
proprietários adora receber visitas. Recentemente,
construíram novas instalações, mais confortáveis.
Mesas ao ar livre, dispostas num grande pomar, fazem
parte do ambiente onde são servidas as refeições
típicas. Funcionam como o informal restaurante dos
hóspedes e visitantes. Com a grande procura, uma ala
fechada para o restaurante será construída até o fim
do ano. Enquanto isso, ninguém reclama de almoçar na
sombra de bacurizeiros, cajueiros e outras árvores
frondosas nativas. Um dos desafios propostos em No
Limite era comer vivo um molusco de mangue, o turu,
encontrado no tronco das árvores. Apreciá-lo desta
forma não deve ser lá muito saboroso. Preparado com
leite de coco, como Jerônima costuma fazer, lembra um
marisco como a ostra.
A ilha de Marajó é repleta de fazendas de criação de
búfalos, meio de transporte e alimento dos habitantes.
Um dos pratos típicos é o Frito do vaqueiro. Era a
comida dos vaqueiros que andavam longas distâncias
através da ilha. Antes da partida, as mulheres faziam o
prato com a fraldinha fresca do búfalo, que era cozida
por muitas horas. Como tempero, apenas sal. Os
vaqueiros levavam a carne numa bolsa de couro, o surrão,
mergulhada na própria gordura, que a conservava por
vários dias, conta Jerônima.
Delícia local, o queijo do Marajó, feito do leite de
búfala, é produzido na fazenda. Nos lanches e na
sobremesa, pode vir acompanhado de doce de cupuaçu, um
excelente substituto do Romeu e Julieta (goiabada com
queijo). Mas as frutas da fazenda não perdem para os
doces. A fruta é a sobremesa do caboclo, diz
Jerônima. São bacuris de todos os tipos, inajás,
saputis, açaís, entre outras surpresas de nomes
sonoros.
Em meio às descobertas gastronômicas, há passeios de
charrete, conduzida por um búfalo. Durante o passeio,
seu Brito, orgulhoso, dá uma de guia turístico de sua
floresta particular. Esse bacuri, pelos meus
cálculos, tem quase uns 100 anos. O cenário de No
Limite faz parte do trajeto: labirinto,
arco-e-flecha... A charrete pára e um barco a remo
espera os visitantes, para levá-los à praia particular
da fazenda. Árvores de mangue dominam o local. Na volta,
estradinhas de terra e belas clareiras completam a
paisagem.
No meio dos vastos campos, aparecem isoladas as
xianeiras, árvores que parecem bonsais gigantes. Com o
sol escaldante e a temperatura úmida, a vontade que dá
é dispensar os passeios programados, deitar À sombra
dessas árvores e ficar apreciando a paisagem mudar,
esperando a hora do panorâmico pôr-do-sol. Ê pai
dégua! Diria, feliz, o caboclo.
Legendas:
Mesas e bancos rústicos transformam-se num informal
restaurante. Na hora de escolher a sobremesa, as frutas
tradicionais, como açaí e sapoti, são tão apreciadas
quanto os doces. Acima, o típico Frito do vaqueiro.
De charrete ou de
barco, chega-se à praia particular da fazenda, com
paisagem de mangue. O encanto da ilha completa-se com o
carimbó do grupo Os Aruãs, que se apresentam para
hóspedes e visitantes.
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